domingo, 14 de fevereiro de 2016

NEGRO OU PRETO: COMO SE DECLARAR O AFRICANO NO BRASIL?





Por Walter Passos. Teólogo, Historiador, Pan-africanista, Afrocentrista e Presidente do CNNC – Conselho Nacional de Negras e Negros Cristãos. Pseudônimo: Kefing Foluke.

Com o avançar da luta contra a discriminação racial no Brasil, grupos se autodeclaram negros ou pretos Alguns dizem: “preto é cor e negro é raça” Ninguém diz que é da raça preta. Sabemos que há uma só raça, que é a humana, e ela foi criada por Deus no Jardim do Édem, segundo os criacionistas. Conforme os estudos históricos, hermenêuticos e exegéticos, os homens foram criados da cor da lama preta. Os evolucionistas acreditam que houve uma evolução do ser humano; e os fósseis mais antigos estão na África. Por conseguinte, toda a humanidade surgiu nesta terra abençoada, com bastante melanina, da cor preta. Os europeus, com as suas línguas, renomearam locais e civilizações. Como exemplo, temos a palavra Mesopotâmia, que na língua grega significa "entre rios" (meso - pótamos). Sabemos que a Grécia começou a formar-se provavelmente entre 2.000 a.C a 1800 a. C . As civilizações que estavam na Mesopotâmia já existiam há milhares de anos e chamavam essa região “terra dos etíopes”. Não podemos perder o foco da discussão. Essas colocações acima são apenas uma chamada à reflexão sobre a palavra negro e a palavra preto. E já vos deixo estas perguntas: Qual civilização europeia denominou os habitantes da África de negro ou preto?

Como devemos nos autodeclarar, sem um conhecimento da história, etnolingüística e da semântica? O que está por detrás da palavra negro? Qual é o seu verdadeiro significado? Como se autodeclaravam, nos documentos, os antigos egípcios? O que significa nigger e black na língua inglesa? Não sendo eu um etnolingüista, este texto é uma provocação para que as pretas e pretos lingüistas emitam opiniões e, assim, trabalhemos para a (des)construção da dominação lingüística que paira sobre o nosso povo
Sendo esse texto bem pessoal, o leitor observa a minha preferência pelo termo preto e não negro Acredito que todo escrito traz implícita uma dose de parcialidade. Também é fato que todos os pan-africanistas que conheço se autodeclaram africanos no Brasil e pretos na diáspora. A palavra negro vem do latim niger e nigur, que se originou do grego necro, e significa “morte”. Você pode se lembrar de quantas palavras do radical grego necro temos na língua portuguesa? A palavra necromancia, que significa adivinhação através dos mortos, se aplica como “magia negra”. Sem falar de necrotério. Uau! Só coisa de morte. E aí começam os problemas. Foram os romanos quem usaram esta palavra, que em algumas línguas neolatinas se tornou: nègre – francês, negro – espanhol, negro – português, nero – italiano.A língua é usada para dominar, manipular, distorcer. A língua é uma das formas mais eficazes de o explorador racista dominar um povo, e a língua portuguesa é oriunda de nações escravizadoras: os gregos e os romanos.
Na África, até a chegada dos europeus, não havia “negros” e “pretos”, mas africanos de múltiplas e variadas tradições culturais. Os africanos, de múltiplas cores, tornaram-se “negros” apenas em relação aos europeus dominadores. Assim escreveram Maestri e Carboni, em A Linguagem escravizada. É interessante notar que a antropologia europeia cria o vocábulo negro para “estudar e classificar” as civilizações invadidas, especialmente da África. A antropologia é uma das mais poderosas armas do europeu para mistificar e manipular as civilizações invadidas e dominadas. Conforme os escritos do afro centrista Cheik Anta Diop, os egípcios se consideravam povos da pele “preta como o carvão” e tinham apenas um termo para designar a si mesmos: kmt "os pretos" (literalmente). O adjetivo kmt significa rigorosamente "preto'', ou, pelo menos, “homens pretos”. O termo é um coletivo que descrevia, portanto, o conjunto do povo do Egito faraônico como um povo preto. E eles foram uma das mais antigas civilizações da África e do planeta. A nossa conversa está ficando muito longa e, como disse anteriormente, estamos começando a discussão. Ser negro ou ser preto? Ou ser africano na diáspora? Como você leitor (a) se declara? Esse espaço está aberto para que possamos denegrir as palavras com um empretecimento do nosso ser.
                                                                                                                                                                                                                                                                                               


Cabelo considerado 'exótico' impede rematrícula de aluno.

Segundo a lei Nº 8069 de 13 de Julho de 1990, que se refere ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) no Art. 5º “Nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, punho na forma da lei qualquer atentado por ação ou omissão aos seus direitos fundamentais” e no Art. 7º “A criança e o adolescente têm direito a proteção à vida e à saúde, mediante a efetivação de políticas sociais públicas que permitam o nascimento e o desenvolvimento sadio e harmonioso, em condições dignas de existência”.
Isto posto, vamos a publicação que segue, mas lembre de deixar sua opinião nos comentários.

                                                                                                                                                                       “Uma confusão envolvendo um estudante e uma escola de Santos, no litoral de São Paulo, acabou gerando polêmica ao ir parar nas redes sociais. Vinicius Santos Dias, de 16 anos, estudava no Colégio Adventista e não conseguiu fazer a rematrícula para o próximo ano letivo por resolver adotar o cabelo no estilo 'blackpower'.
                             Estudante afirma que cabelo faz parte de sua identidade (Foto: Rafaella Mendes/G1)                                                                   

Vinícius conta que, por causa do cabelo, foi chamado cinco vezes na sala da direção da escola, durante o ano, para conversar. As duas primeiras conversas foram apenas entre ele e a diretora, que segundo o estudante, desde o primeiro instante insistiu para que ele cortasse o cabelo que era 'exótico' e feria as regras da instituição. "Nessas conversas eu deixei bem claro que não era uma questão de moda. É apenas a minha identidade", relembra.
Com o fim do ano letivo, o processo de rematrícula para 2016 foi iniciado, mas apenas a irmã de Vinícius recebeu o boleto. Para surpresa do adolescente, uma carta foi enviada convidando ele e o pai para resolver um problema disciplinar. "Quando chegamos na escola vimos que o problema era o meu cabelo. Muitas pessoas lutaram durante a história para que não tivéssemos vergonha do nosso cabelo. É estranho ver uma regra como essa. Não podemos ficar quietos e devemos questionar as razões da escola", ressalta o estudante.
De acordo com Vinicius, a direção da escola deu duas opções para ele. A primeira era cortar o cabelo e continuar estudando no mesmo colégio. A outra, manter o penteado, só que fora da instituição. A direção alegou para o estudante que a rematrícula não seria feita já que feria o regimento escolar. "Foi aí que comecei a questionar. Por que o meu cabelo precisava ser cortado para que a matrícula pudesse ser feita?", explica.
Sem mais respostas do colégio, Vinicius se uniu a outros colegas, que fizeram uma manifestação pedindo esclarecimentos. A ação foi parar nas redes sociais e acabou sendo compartilhada por milhares de pessoas. "Eu fiquei admirado. As pessoas foram aceitando a minha condição. Ninguém tinha obrigação de estar lá e muita gente pediu para que a escola liberasse o meu cabelo", conta.
                            Alunos se reuniram em pátio de escola para manifestação (Foto: G1)     

Para tentar reverter a situação, o adolescente organizou no pátio do Colégio Adventista uma manifestação onde pedia esclarecimentos para a escola sobre o porquê ele não terá a chance de efetuar sua rematrícula. A ação deu certo e outros estudantes acabaram aderindo ao movimento.
Com a grande mobilização, o adolescente conseguiu levantar a bandeira de defesa à cultura afro. "Não tem como eu abaixar a cabeça para uma coisa tão absurda. Meu cabelo é crespo, minha boca é grossa e eu não tenho vergonha disso. Me sinto ofendido, não tem como dizer que não. Essa regra deve ter mais de 100 anos e nós estamos em 2015", finaliza.

Em resposta ao G1, o Colégio Adventista de Santos, informou que que não impediu o aluno Vinicius Santos Dias de renovar a sua matrícula por preconceito de nenhuma espécie. A escola diz que a filosofia da Educação Adventista em todo o mundo prega a igualdade e é contra qualquer tipo de intolerância.
A instituição ainda afirma que existe um regimento interno, assinado pelos responsáveis pela matrícula, que não permite o uso de cabelo tal como o aluno apresenta. Esta prática é um padrão que é aplicado a todos os alunos e é adotado pela instituição há muitos anos, independente de cor ou raça.
A escola afirma que os contatos foram realizados algumas vezes e diz que não foi imposto de forma autoritária que ele cortasse o cabelo. O colégio também afirma que ele não foi impedido de praticar as atividades escolares durante o ano letivo. Tendo em vista que o aluno demonstrou insatisfação com as diretrizes da escola, os pais foram convocados a uma nova reunião.”


                                                                                                                Fonte: Rafaella Mendes Do G1 Santos