quinta-feira, 8 de julho de 2010

Gênero e Competência.












Após acordar da decepção de não ter conquistado o título de Hexacampeões Mundial no último dia 02 de julho, quando a seleção de Dunga abriu o placar de 1X0 contra a Holanda mais não segurou o resultado perdendo de 2X1, se faz necessário que o Brasil acorde mais uma vez, dessa vez, para a responsabilidade que todo cidadão precisa ter para a campanha eleitoral, que este ano promete muita controvérsia entre gênero e competência.
Fato é que, dos vários candidatos das legendas que estão concorrendo à presidência da república, dois, são do gênero feminino. Mais que importância ou relevância isso tem?
No Brasil nunca houve até o momento, uma mulher liderando a nação como presidente, muito embora em eleições passadas, as mulheres tenham se manifestado lançando suas candidaturas, contudo, sem muito sucesso. É verdade que esta é uma realidade na esfera estadual e municipal, onde se conhece as diversas histórias de governadoras, senadoras, deputadas e vereadoras.
Umas mais conhecidas como nos casos das ex- governadoras do estado de São Paulo, Marta Suplicy e Luiza Erundina, no Rio Janeiro, Rosinha Garotinho, No Maranhão, Roseana Sarney e muitos outros exemplos clássicos na política brasileira, no entanto, ainda é grande o estereótipo para se admitir uma mulher com a função de presidente da República. Apesar desse estereótipo, a força feminina tem avançado a cada dia fazendo com que as mulheres se animem no avanço dessa conquista.
A ex- senadora Heloisa Helena, uma das fundadoras e membro do Partido Socialismo e Liberdade (Psol), é exemplo disso. Líder determinada, a ex- senadora mostrou confiança, competência, dinamismo, comprometimento com a ética e o dever de cumprir suas promessas de campanhas, enfrentou os adversários políticos de frente e junto com outros integrantes do PT (Partido dos Trabalhadores), apoiados por intelectuais socialistas, economistas, filósofos e cientista políticos fundaram uma nova legenda baseada numa reflexão e visão compreendidas no socialismo.
Lançou sua candidatura para presidente da república em 2006, sendo a primeira ou uma das primeiras do gênero feminino a almejar efetivamente tal pleito. Mesmo que não tenha conquistado o comando do Palácio do Planalto, a ex-senadora deu provas mais que suficientes á quem interessar possa que, tem competência pra assumir tal posição, quando lhe for confiada através do voto direto.
Política, ambientalista, pedagoga e filiada ao Partido Verde (PV), Maria Osmarina Marina Silva Vaz de Lima, ou simplesmente Marina da Silva como é conhecida, a ex- senadora e ex- Ministra do Meio Ambiente, também é um grande exemplo da força feminina na política brasileira.
A presidenciável para as eleições de 2010 superou toda vida de pobreza em que nasceu e viveu no seringal acreano, driblou as dificuldades econômicas e foi alfabetizada pelo sistema de alfabetização da ditadura militar, o Mobral.
Em 1981 iniciou sua graduação de História na Universidade Federal do Acre (UFAC), mais tarde
por influências das teorias marxistas e da igreja católica entrou para o Partido Revolucionário Comunista que era abrigado no Partido dos Trabalhadores. Foi professora na rede de ensino médio, engajou no movimento sindical, foi companheira de luta de Chico Mendes e juntos fundaram a Central Única dos trabalhadores (CUT) do Acre em 1985 da qual foi vice- coordenadora até 1986.
Foi à vereadora mais votada no município de Rio Branco em 1988, conquistando a única vaga da esquerda na Câmara Municipal. Como vereadora causou polêmicas por combater os privilégios de vereadores e devolver benefícios que os demais vereadores também recebiam. Isso é que é ser uma mulher de fibra (como diria um bom nordestino, uma mulher retada, risos). Em 1990 terminou seu pleito de vereadora e se candidatou a deputada estadual pelo estado do Acre e novamente teve a maior votação.
O ano agora é 1994 e ela foi eleita senadora da República e pra variar como o leitor já deve imaginar, com a maior votação. Vale lembrar que com essa expressiva votação que teve como senadora da Republica pelo estado do Acre, ela quebrou uma tradição de vitória exclusiva de ex-governadores e grandes empresários do
estado. Foi Secretária Nacional de Meio Ambiente e Desenvolvimento do Partido dos Trabalhadores, de 1995 a 1997. Pode-se dizer que se tornou uma das principais vozes da Amazônia, tendo sido responsável por vários projetos, entre eles o de regulamentação do acesso aos recursos da biodiversidade.
Em 2003, com a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva para a Presidência da República, foi nomeada ministra do Meio Ambiente.
Desde então, enfrentou conflitos constantes com outros ministros do governo, quando os interesses econômicos se contrapunham aos objetivos de preservação ambiental.
Em 13 de maio de 2008, cinco dias após o lançamento do Plano Amazônia Sustentável (PAS), cuja administração foi atribuída a Roberto Mangabeira Unger, Marina Silva entregou sua carta de demissão ao Presidente da República, em razão da falta de sustentação à política ambiental, e voltou ao exercício do seu mandato no Senado.
Em 2007 um movimento apartidário de cidadãos, denominado "Movimento Marina Silva Presidente", iniciou a defesa pública de sua candidatura à presidência da República. A repercussão internacional deste movimento fez com que o PV Europeu pressionasse o PV do Brasil a convidá-la para afiliar-se em seus quadros.
Assim, desde agosto de 2009, foi cogitada a ser candidata à presidência da República pelo Partido Verde (PV). Líderes do PV articulam um leque de apoio que dê envergadura eleitoral à eventual candidatura em 2010.
No dia 19 de agosto de 2009, Marina Silva anunciou sua desfiliação do Partido dos Trabalhadores (PT). Marina disse que a decisão foi sofrida e a comparou com o fato de ter deixado a casa dos pais há 35 anos num seringal rumo a uma cidade grande. "Não se trata mais de fazer embate dentro de um partido em que eu estava há cerca de 30 anos, mas o embate em favor do desenvolvimento sustentável."
Em 11 de junho de 2010, anunciou oficialmente sua candidatura à Presidência da República, em uma convenção do Partido Verde na qual afirmou pretender ser a primeira mulher, negra e de origem pobre a governar o Brasil.

Fatos Relevante:
• Em 1996 recebeu o Prêmio Goldman do Meio Ambiente pela América Latina e Caribe, nos Estados Unidos.[14]
• Em 2007, por meio da Medida Provisoria 366, a ministra Marina Silva desmembrou o Ibama e repassou a gestão das unidades de conservação da natureza federais para o Instituto Chico Mendes.
• Também em 2007, recebeu o maior prêmio das Organização das Nações Unidas (ONU) na área ambiental - o Champions of the Earth (Campeões da Terra) - concedido a seis outras personalidades: o ex-vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore; o príncipe Hassan Bin Talal, da Jordânia; Jacques Rogge, do Comitê Olímpico Internacional (COI); Cherif Rahmani, da Argélia; Elisea "Bebet" Gillera Gozun, das Filipinas, e Viveka Bohn, da Suécia.

Em 1 de abril de 2009, ganhou o prêmio norueguês Sofia, de 100 mil dólares, por sua luta em defesa da floresta amazônica. "Ela reduziu o desmatamento na Amazônia para níveis historicamente baixos - 59 por cento, de 2004 a 2007", informou a fundação. Áreas enormes foram conservadas, mais de 700 pessoas foram presas por atividades ilegais na floresta, mais de 1.500 empresas foram fechadas, e equipamentos, propriedades e madeira ilegal foram apreendidos. Ela também se preocupou com as populações indígenas". Durante os três anos de Marina Silva no governo, o desmatamento foi reduzido para o segundo nível mais baixo em 20 anos, de acordo com a Fundação.
• Em 10 de outubro de 2009, recebeu o prêmio Mudanças Climáticas, oferecido pela Fundação
Príncipe Albert II de Mônaco.
• Foi considerada pela Revista Época um dos 100 brasileiros mais influentes do ano de 2009.
• Foi considerada um dos 100 maiores protagonistas do ano de 2009 pelo jornal espanhol El País.

Concluindo por hora a análise do assunto, não poderíamos deixar de mencionar a candidata do Partido dos Trabalhadores (PT) e afilhada política do presidente Lula, Dilma Rousseff.
Dilma Vana Rousseff é uma economista e política brasileira, filiada ao Partido dos Trabalhadores (PT). Foi ministra-chefe da Casa Civil durante o Governo Lula, e é a candidata do partido à Presidência da República.
Nascida em família de classe média alta e educada de modo tradicional, interessou-se pelos ideais socialistas durante a juventude, logo após o Golpe Militar de 1964. Iniciando na militância, passou para a luta armada contra o regime militar, integrando organizações como o Comando de Libertação Nacional (COLINA) e a Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR Palmares). Passou quase três anos presa, entre 1970 e 1972, onde passou por sessões
de tortura.
Reconstruiu sua vida no Rio Grande do Sul, onde junto com o companheiro por mais de trinta anos, Carlos Araújo, ajudou na fundação do Partido Democrático Trabalhista (PDT) e participou ativamente de diversas campanhas eleitorais. Exerceu o cargo de secretária municipal da Fazenda de Porto Alegre no governo Alceu Collares e mais tarde foi secretária estadual de Minas e Energia, tanto no governo de Alceu Collares como no de Olívio Dutra, no meio do qual se filiou ao Partido dos Trabalhadores (PT) em 2001.
Participou da equipe que formulou o plano de governo na área energética na eleição de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República em 2002, onde se destacou e foi indicada para titular do Ministério de Minas e Energia. Novamente reconhecida por seus méritos técnicos e gerenciais, foi nomeada ministra-chefe da Casa Civil devido ao escândalo do mensalão, crise que levou à renúncia do então ministro José Dirceu. Foi considerada pela Revista Época uma dos 100 brasileiros mais influentes do ano de 2009.
Analisando friamente e de modo sintático o perfil das três mulheres acima citadas, concluimos que, independente da sigla da legenda que defendam, elas tem algo muito em comum, a saber, COMPETÊNCIA!!!
Acreditamos que já é hora de começarmos uma reflexão mais profunda a respeito da valorização do gênero feminino, especialmente no tocante a sua competência para liderança no âmbito político. O estereótipo de que elas podem ser vereadoras, deputadas, governadoras, senadoras e até mesmo ministras mais não podem assumir a presidência da República, precisa ser vencido em caráter de urgência. Todavia, é no campo político e entre os políticos que tal estereótipo se fortalece segundo a opinião da ex-ministra e candidata ao comando do Palácio do Planalto pelo Partido dos Trabalhadores (PT).

“… eu acho interessante o fato de que a mulher, quando ela exerce um cargo com alguma autoridade, sempre é tachada de dura, rígida, dama de ferro ou qualquer coisa similar. E eu acho isso, de fato, um estereótipo. É um padrão, uma camisa de força que tentam enquadrar em nós mulheres.”

Dilma, ao confirmar que já se sentiu discriminada por ser mulher.

Sobre seu temperamento, Dilma afirma:
"O difícil não é meu temperamento, mas minha função". Eu tenho de resolver problemas e conflitos. Não tenho descanso. Não sou criticada porque sou dura, mas porque sou mulher. Sou uma mulher dura cercada por ministros meigos".

É muito fácil falar na maioria das vezes, mais somente quem sente na pele o preconceito, seja ele de que tipo for, no caso, o gênero, é que realmente sabe o quanto ele é depreciativo e mesquinho, vulgar eu diria e ainda covarde pra não dizer patético e infrutífero. Nenhum homem ou mulher, jamais ganhou alguma coisa positiva cultivando tais estereótipos, muito menos beneficiou uma maioria, portanto, sugerimos a todos os brasileiros á uma introspecção com o fim de reavaliarmos nossos conceitos e iniciarmos uma nova era.
Uma era de pessoas pensantes e que sejam capazes de pensar por si mesmas e livres de estereótipos. Utopia? Talvez sim, mais acredito que esse fenômeno depende mais de nós mesmos, entretanto de forma individualizada, que propriamente de modo coletivo. Reflita e pense, pois como disse Michael Jackson, “você é capaz de mudar o mundo, começando por você”.
Sugiro então que comecemos analisando de igual para igual todos os candidatos e candidatas para presidência da República e os avaliemos pela sua COMPETÊNCIA e não somente pelo GÊNERO.

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